Crítica: O Aprendiz de Feiticeiro


Crítica: O Aprendiz de Feiticeiro  (The Sorcerer’s Apprentice)

Apesar do nome em comum, este filme nada tem a ver com a animação estrelada por Mickey em o Aprendiz de feiticeiro, o curta que fazia parte da animação de Fantasia de 1940. Neste caso, apenas serve de inspiração.

O filme começa com a história de Balthazar (Nicolas Cage), um dos três aprendizes de Merlin, que, sem querer, provocou ciúmes em Horvath (Alfred Molina), outro aprendiz de Merlin e este ajuda a vilã Morgana a destruir Merlin. Depois de atingir Merlin com uma magia, Verônica (Monica Bellucci), a terceira aprendiz de Merlin que tem um caso com Balthazar, funde seu corpo com o de Morgana para que Balthazar possa capturá-las em uma espécie de matrioshka (uma boneca russa que contem uma menor dentro dela e assim por diante). Merlin antes de falecer pede a Balthazar que encontre o Primeiro Merliniano para que este possa destruir Morgana de uma vez por todas.

Mil anos depois, Dave (Jay Baruchel) encontra Balthazar (ele já havia tentado encontra-lo antes, em várias épocas diferentes da história da humanidade) por acaso em sua loja e descobre que ele é o Primeiro Merliniano graças a uma reliquia “mágica”(um anel).

O filme tem sacadas rápidas de humor e consegue tirar vantagem disso, é impossível assisti-lo sem dar umas risadas, porém a história não é lá tão boa assim. Em uma projeção de apenas 110min, o filme tem inúmeras reviravoltas graças ao jogo de gato e rato entre Balthazar e Horvath. A ideia do filme é boa, mas não é original. Se pensarmos bem, o mundo do cinema já esta cheio de heróis nerds como Sam Witwicky, Peter Parker e Kick-Ass que tem que salvar o mundo ou Nova Iorque dos planos pérfidos de um vilão caricato. Em muita coisa do filme não é original, apenas em algumas magias. Eu não sabia que magos, bruxos, feiticeiros, etc. podiam jogar bolas de energia como se fosse um kame-hame-ha ou rasengan ou qualquer outro tipo de poder nipônico da vida.

A fotografia do filme é escura que contrasta muito bem os efeitos visuais do filme (destaque para a cena de Chinatown, muito legal!). Cage cria um personagem de aspecto sombrio, amavel e cômico, aproveitando para improvisar .

Baruchel faz o clássico nerd inseguro, traumatizado, engraçado, apaixonado, tímido e herói que já vimos diversas vezes, mas o maior problema é que Dave, o personagem de Baruchel, não evolui a coragem do personagem, deixando-o desengonçado e estabanado do começo ao fim. Molina não precisou se esforçar em criar seu personagem, faz o vilão impaciente e mau humorado, deixando-o apático e Monica Bellucci, com seus pobres cinco minutos de projeção não consegue fazer uma personagem interessante servindo apenas de hospedeira para Morgana (dispensa comentários, se Bellucci teve cinco minutos, Alice Krige teve dois).

Claro que o filme tem seus pontos altos, como na singela homenagem ao Aprendiz de Feiticeiro de 1940 (assista e você saberá do que estou falando) a cena é engraçada e consegue deixar aquela saudade para assistir Fantasia novamente (recomendadíssimo). Mas a adaptação da clássica música de Paul Dukas deixou muito a desejar, teria sido melhor deixar como ela era. Falando em música, a trilha licenciada do filme é boa e agrada aos ouvidos.

Jon Turteltaub é um bom diretor, dirigiu A Lenda do Tesouro Perdido e sabendo que já havia dirigido Cage ele poderia ter aproveitado muito mais do ator e do personagem.

Concluindo, o filme é bom e agrada, porém não vá ao cinema com grandes expectativas, pois pode sair desapontado. O filme nos EUA não fez muito sucesso arrecadando apenas US$70 milhões e corre o sério risco de nem conseguir ultrapassar o seu orçamento de US$ 140 milhões e isso significa, meus caros, que é muito provavel que nós não veremos O Aprendiz de Feiticeiro 2 por aí. Pena, porque o filme tinha potencial e um bom tema que infelizmente acabou sendo mal aproveitado.

NOTA: 2.5/5.0

Confira o trailer aqui:


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Publicado em Críticas por matheusfragata. Marque Link Permanente.

Sobre matheusfragata

Estudo cinema na UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar. Prazer, este sou eu.. Gosto de conhecer novas pessoas, inclusive vocês, caros leitores. Um texto não define o caráter de um homem. Lembrem-se disto antes de atirar, mesmo que virtualmente, a primeira pedra.

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