Crítica: Coco Chanel & Igor Stravinsky

COCO CHANEL & IGOR STRAVINSKY

Fui na pré-estréia e demorei para postar porque o filme leva a pesquisa e reflexão. Não sou fã de moda e, apesar de estudar piano, Stravinsky nunca foi meu compositor favorito. Mas, por insistência de familiares…

Bem, descobri um pouco do filme noir. Sim, os europeus filmam de maneira diferente. O mínimo de luz força o ator a ser mais verdadeiro, mais fiel ao personagem que está interpretando. E, apesar de ser um pouco confuso no início, a história se desenrola bem com o passar do tempo.

Quem já foi a Paris, entenderá a apresentação do filme. O caleidoscópio liga os tempos e lugares diferentes – a França e a Rússia. Coco & Stravinsky inicia nos anos 20, os “anos loucos” de Paris. A capital francesa efervescia de idéias e gênios apareciam (ou continuavam a aparecer já que Paris recebeu os grandes gênios de pintura, escultura, pensadores e filósofos do mundo, isso quando nos os criou), muitos como Stravinsky, sem serem compreendidos.

De um lado, Coco Chanel, a mulher que libertou as mulheres de uma moda que não as deixava respirar – ela aparece cortando mais um de seus espartilhos no início do filme – e a criadora do preto básico existente em todos os guarda-roupas femininos, amante do playboy e milionário inglês Arthur Boyle. De outro, Igor Stravinsky, um compositor vindo da Rússia, trazendo na bagagem, além da família, toda a dor de uma revolução russa que, aos seus olhos, havia perseguido, matado e acabado com toda cultura de seu país. E os dois se encontram na sua primeira apresentação, onde nem o maestro entendia o que tocava e nem o corpo de balé conseguia ouvir as ordens do diretor de danças cênicas tamanha a vaia que levava. Coco Chanel, na platéia, no entanto, entende e gosta da sua música.

Anos se passam e, Coco (achei essa mulher muito vadia até assistir o outro filme sobre a vida dela e entender a sua posição bastante feminista para uma mulher do seu tempo) oferece para financiar o trabalho de Stravinsky, com direito a casa para morar e um lugar para sua família viver de modo decente. Decente?

A paixão entre os dois e o jogo de pressão psicológica que passa Stravinsky (a culpa em relação aos filhos e a sua mulher) e a diversão de Chanel prendem a atenção do espectador.

A história vai tomando forma de tal maneira que, ela que começou como estilista de chapéus e tornou-se a principal estilista de Paris nos anos 20, emociona quem assiste e, no momento da descoberta da essência do perfume mais vendido no mundo inteiro – Chanel nº 5 – e na grosseria de Stravinsky, o espectador torce para que o amor dos dois vença e a separação dele e de sua família torne-se natural.

Não vou adiantar o final, mas o filme vale a pena ser assistido. O guarda-roupa, a decoração dos cenários, o modo do diretor holandês Jan Kounen levar a atriz Anna Mouglalis, a mais exclusiva modelo da grife Chanel, interpretar Coco e do ator dinamarquês – o filme é falado em francês e russo – Mads Mikkelsen (o vilão de Cassino Royale) transformar-se em Stranvinsky, um gênio com alucinações e delírios leva o espectador à atenção total. Isso, sem falar na direção de fotografia de David Ungaro.

Não perca. Ah, e depois pesquise. Coco Chanel ainda guarda segredos para a realização de um próximo filme. Coco Chanel & Igor Stravinsky encerrou – com chave de ouro – o do Festival de Cannes desse ano.

NOTA: 4.0/5.0

Confira o trailer do filme:


Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

2 respostas em “Crítica: Coco Chanel & Igor Stravinsky

  1. Estou com vontade de assistir esse filme. Assisti o “Coco antes de Chanel” e apesar do preconceito acabei gostando do filme, descordando das pessoas que o criticam afirmando que o filme é apenas para estilistas, descordo, não gosto de São Paulo Fashion Week mas gostei do filme.
    Coco Chanel tem uma estória interessante que acabei pesquisando depois de ver o filme, depois de sua critica vou acabart vendo. Alias, é o João do Equipe.

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s