Crítica: Nosso Lar

Nosso Lar – ou que lugar é este?

Se você já leu Nosso Lar, vai gostar muito do filme que estréia dia 3 de setembro, em todo o Brasil. Se não viu o trailer, vai se assustar com os efeitos visuais que um filme nacional, enfim, consegue ter. O mais interessante mesmo é o desenrolar da história.

André Luiz, um médico carioca, morre (desencarna, para os espíritas de todo o mundo) e se vê do outro lado da vida, em um lugar escuro, cheio de lama e névoa, sendo chamado de suicida. Depois de engolir a revolta e de tentar, de todos os meios, fugir dos seres estranhos (Thriller, do Michael Jackson, deve ter sido inspiração para os personagens que lá existem) e horrendos que o atordoam, resolve rezar (orar, segundo os espíritas) e pedir socorro a Deus (André Luiz se afastou da religião com o passar do tempo enquanto vivia na Terra), recebe a visita de Clemêncio (Othon Bastos), Lísias (Fernando Alves Pinto) e Tobias (Rodrigo dos Santos) e é levado para o Nosso Lar, uma colônia espiritual, onde ele vai passar por um processo de tratamento e regeneração, até redescobrir sua função no Espaço.

Bom, para começar a falar deste filme temos que falar primeiramente dos efeitos técnicos (certamente quem viu o trailer do filme ficou uma curiosidade tremenda para vê-lo). Os efeitos visuais de Nosso Lar são bárbaros. Nunca, em minha vida, senti orgulho de ver um filme nacional com tremenda qualidade visual como este. Muito da arte do filme vem dos cenários (que são impecáveis) e de suas locações, os efeitos realmente ganham destaque no Umbral (uma espécie de purgatório), da vinda das almas para a colônia, o planeta Terra e, claro, o visual da colônia Nosso Lar. Não irei citar mais para não estragar as surpresas que são esses efeitos.

A fotografia do filme consegue fugir daquele velho tabu de fotografia de novela: close na cara do personagem principal, transfere para o coadjuvante e um plano semi-aberto dos dois em pé ou sentados. O filme arrisca-se com planos bem abertos do cenário (como o da muralha, que foi construída especialmente para a filmagem), para mostrar toda sua beleza fotográfica, com paisagens estonteantes (afinal, é o céu). Tudo no filme possui uma aura brilhante, os personagens, os objetos, os cenários, etc. Graças ao filtro visual que foi realizado com tremenda maestria, ficando difícil ver quaisquer falhas neste aspecto. A palheta de cores do filme é ótima e acompanha os sentimentos/situações de André Luiz, durante sua vida (cores padrões, sem graça), no Umbral (fotografia sombria) e no Nosso Lar (extremamente colorido, com belos contrastes).

O atores, que não são tão “globais”, atuam de forma igual, nenhum se arrisca demais. Quem fica com o destaque no filme é Rosanne Mulholland, a sobrinha do personagem de Lísias, criando um psicológico interessante de sua personagem e Fernando Alves Pinto, Lísias (personagem bem interessante que demonstra o seu lado mais humano, pois também sente-se só em determinada parte do filme), vital para o desenvolvimento do personagem Renato Prieto.

O roteiro do filme é descontraído, com várias piadinhas, embora previsíveis, dão certo.  Ele não é linear e intercala passagens da vida de André com a sua alma no Umbral e em Nosso Lar. Além disso o roteiro é fraco, como é baseado em um livro poderia ter sido aproveitado muito mais, evitando o “certo” excesso de didatismo que muitas pessoas reclamaram.

A direção de Wagner de Assis é  boa e consegue fazer o filme emocionar o público que o assiste. Atente para o que diz Emmanuel (Werner Schunemann) no final do filme e verá que vários espectadores demonstrarão sua emoção.

Nosso Lar chega com a promessa de ser o filme nacional do ano (pelo menos, no visual) e cumpre o que promete, tenho certeza de que será um sucesso nas bilheterias do país. Afinal, todos nós temos aquela curiosidade de saber o que acontece depois de nossa “morte” e o filme nos dá uma idéia do que provavelmente nos aguarda ou do que nós aguardamos. É um sopro de esperança entre tantos filmes que só retratam violência no País.

NOTA: 4.0/5.0

Confira o trailer do filme:


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Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

15 respostas em “Crítica: Nosso Lar

  1. Matheus, interessante su crítica sonbre Nosso Lar, é primeira que leio. Olha, visualmente, o filme promete mesmo… e só de fugir a mesmice do cinema nacional já vale a pena. Espero por assisti-lo logo.

    Até +

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  2. ae manoooooooo….
    ja tava mais do q na hora d entrar nesse seu blog,prestigiar essa birosca,auhsuhauhsauhsauhas,brinks!!!
    ae man,mto bom os textos,vc manda bem,boa sorte com essa d crítico,vo tentar visitar essa bagaça sempre q possivel.
    abrasssss!!!!

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  3. Querido, muito boa sua crítica sobre o filme. Eu ainda não assisti, mas vou com certeza.

    Sou espírita desde os meus 13 anos e sonhava um dia poder ver no cinema, um filme dessa magnitude.

    Nosso Lar foi o primeiro livro que li. Aprendi muito com ele.

    Está mais que na hora das pessoas mundialmente entenderem que somos espíritos encarnados. Não tem como fugir mais dessa verdade absoluta.

    Olhe nosso planeta, muito calor num lugar, enchentes demais em outros, muita violência e agressividade e por ai vai.

    Está na hora de buscar Deus, de buscar a verdade, de renovação, e reforma íntima.

    bjs.

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    • Obrigado pelo seu apoio, Maria Fernanda. O filme é muito bom e os atores trazem esperança para o povo — e para o cinema — brasileiro. Também acho que esse é um momento bom para reflexão. Assista. É essa uma das mensagens do Nosso Lar. Abç

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  4. Ainda não vi o filme, mas já ouvi inúmeros comentários. Sou espírita e acho que as pessoas devem abrir a cabeça para uma realidade que nos mostra o verdadeiro sentido da vida.

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    • Concordo com você Marlene. Muitas críticas que li sobre o filme são altamente negativas e discordo plenamente da opinião deles, é preciso ter a cabeça aberta e tranquila para assistir Nosso Lar.

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  5. Matheus,
    Fui assistir ao filme ‘Nosso Lar’ ontem! Boa a sua crítica e vc tem razão ao dizer que os efeitos visuais (especiais) são realmente novidade no chamado cinema nacional. É algo inesperado mesmo. E as passagens e sintonias cores/estados de espírito estão bem arranjadas. Mas tenho algumas questões quanto à tônica do filme. Acho que fica muito maniqueísta a questão: se a pessoa não foi ‘boazinha’ na vida terrena, é punida e paga caro no umbral. A qualquer deslize, ela pode voltar para aquele lugar sombrio e assustador. Não sou expert em espiritismo, de jeito nenhum, mas acho que o filme peca ao tratar essas questões. Isso fica claro também na personagem que interpreta a sobrinha de Lísias, que não se conforma com a morte e faz o tipo revoltada. Vamos falar disso pessoalmente na próxima vez que a gente se encontrar?
    abs e parabéns pelo blog!

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  6. Is it incredibly wrong to believe in god? Or in spirits? I think not, but i feel sad to see a new generation fall into the arms of religious beings… Once more…. I don’t care if the movie as good messages with well chosen words or good-looking effects of marvelous landscape, they are just the thin layer of the real structure behind this giant THING, that is the Religion, or better saying, Commercial religions, that only have eyes for the biggest objective of all, money and domain (one that brings more money…) The after life is no more then larvae feeding in our energy-less body, to complete the cycle of life. That is what i want for me in my absent “after-life”, and what you all should want too, because this alienated thinking can be, in our modern society, overridden, to become another fictional story to be read, admired, and then forgotten, just like the beautiful tales of Greek Mythology.

    I have been in Brazil for three years already, and this unbelievable domination of religion, publicity and politic power over the population has been, for me, one of the most disgusting experience, not just because of the obvious domination of this groups, but also by the lacking of popular resistance against this horrible powers that will take populations, countries and continents to an end. We are having examples of this in present days, almost every time, because today we know that religious groups are linked with banks and corrupt billionaires (Rothschild), and work together to destroy the innocent people, or with the power they have today, entire countries, like the present crisis in Europe (that in fact is not in a real crisis, but receiving an enormous offensive by the media, that is property of the bank owners, in this case, the Rothschild family.

    We need an important reflection over all the things that surround us, including the American cinema productions, and i wish that all of us, most likely this new generation, should get the message or at least gain some knowledge of this important content.

    I have also a suggestion for the reviewer: please step out, even if it is just once, of the hollywood box that you are immersed in, there are plenty of good cinematographic productions that don’t need this vicious millions spend on, and are even better then this insane hollywood crap. You are still young and can change your way of seeing things, to bring for all of us, new reflections, trough good reviews.

    Till some other time…

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    • Gael, don´t be angry, my good friend. I understand that the huge power religion has. I believe in certain things, but not everything envolving my religion.
      You´re absolutely right, Gael. You spent three years in Brazil and felt the massive effect of religion on the people of my country. I hope you can realize that the brazilian cinema is quickly evolving and so i have highlighted the visual effects (wich has the american standard of quality) in a nacional film.

      Anyway, your comment is one of the most importance here in Bastidores. Thanks for your visit and your reflections.Oh, in the case of the review of “Nosso Lar”… in that time i was learning about cinema and i was certainly very influenced by the local media. It was the first movie i was invited to go to the premiere with all the cast and stuff. One of the protagonists is a good friend of mine and he´s envolved with another brazilian filme called “Dois Coelhos” wich is debuting today.Try to look forward for this movie.

      Gael, in the time you went in Brazil, you most certainly realized that the movie theather in here just show american and british movies. Only on selected cinemas it´s possible to watch alternative movies. It´s a shame that the most of people can´t watch outstanding movies from Italy, Iran, Argentina, France, Switzerland, Germany etc. Though, nowadays, those movies are gaining notoriety in Brazil, but just a small parcel of the population has acess to watch this films.

      Please, keep returning to visit the blog and read other recent reviews. Today i have two years of experience and i´m much more reasonable before writing a movie review.

      I´m waiting your reply…

      P.S.: Gael, i´ve just entered the film college. We can bring to new reflections to everyone with our texts, but now we have a powerful ally: the cinema.

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      • I’m exited to see that you have new reflections and that you are really studying this beautiful art, that is the Cinema…I should have known better… Now I think, with this fine response of you, that your future in this branch of the well known arts, will be very prospering and triumphant…

        Good luck with your decisions, and yes I will keep in touch… Thank you!

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  7. E ai Matheus!!! Estou novamente dando uma visitinha no seu Bastidoors…hushushusuh Gostei da escrita novamente, mas achei mais incrivel ainda este grande comentario acima, divido com ele a mesma opinião. Muito bem escrito, gostaria de conhecer esse cara hahahaa. Sue blog esta se tornando um grande encontro de discussões, o que é tambem muito interessante… FLWSS

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    • Pois é, Eloi. Nem eu acreditei na qualidade do comentário acima.
      Escrevi esse texto há dois anos, cara. Ainda era um pequeno gafanhoto e influenciável na época. Hoje daria 2.5/5.0 para “Nosso Lar”.
      Eu espero que mais pessoas como o Gael visitem o blog e tragam tópicos interessantes de debater.
      E como você está, cara? Vai embora do Brasil sem me avisar?

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