Crítica: “O Último Exorcismo”

O Último Exorcismo (The Last Exorcism)

Prepare-se para assistir a um bom filme que, infelizmente, foi vendido como uma coisa, mas na realidade é outra. Não vá esperando assistir a aquelas fitas de horror que saem tripas e vômitos voando num belo baile de sangue, porque não será isso que você irá encontrar.

Patrick Fabian é Cotton Marcus, um padre alegre que já exorcisou várias garotinhas(os), porém perde a fé em sua profissão e com isso decide desmascarar a farsa que é o exorcismo fazendo seu último trabalho. Para isso, chama uma equipe de filmagem para acompanhá-lo nesse exorcismo que irá realizar em uma cidade do interior de Lousiana. Porém, chegando lá descobre que o caso é mesmo sério e não uma piada como ele havia imaginado.

Por uma enorme desventura, parece que virou modinha fazer filmes de terror com essas malditas handycams (filmadoras caseiras/de mão). “O Último Exorcismo” foi filmado nesse formato asqueroso, o que certamente não ajuda em nada, pois a maior parte do tempo você não consegue assisti-lo graças ao Parkinson do cinegrafista e a constante mudança de foco e closes encapetados na cara de TODOS os personagens do filme. Muitos podem achar que isso aumenta a tensão do filme, mas eu discordo, para ficarmos tensos mesmo temos que ver que raio que se passa na tela do cinema.

O roteiro certamente é o ponto mais alto do filme, apesar dos inúmeros furos que possui. O legal é que conta com várias reviravoltas do início ao fim do filme, além de deixar um espaço satisfatório para o desenvolvimento dos personagens (com direito a dramas familiares). E ainda conta outra forma genérica de acabar com o filme. O típico final cliffhanger que estamos mais do que acostumados, isto é o clímax do filme, no caso, é cortado/mutilado no meio. Justo quando a história realmente fica interessante e desponta aquela vontade incrível para saber o que aconteceu. Atente ao easter-egg que explica o que acontece com o padre antes mesmo de acontecer.

Outro aspecto positivo do filme são as atuações, Fabian está muito bem no seu papel de padre cético e aloprado. Ashley Bell convence bastante como guria encapetada dos infernos, além disso, também desenvolve uma psicologia, no mínimo interessante, de menina de interior que se impressiona facilmente. Em geral, todas as atuações são satisfatórias para um filme de terror/documentário.

Os efeitos sonoros do filme são muito bem colocados durante as cenas, como ruídos, estalos, gemidos, gritos e a música, extremamente tenebrosa, que ecoa nos corredores na casa.

Com um marketing errado (já não é a primeira vez que acontece isso, vide o caso de “Atividade Paranormal”), “O Último Exorcismo” não será o último filme de exorcismo que você verá por aí nos próximos anos. Ele tinha um tremendo potencial que acaba não sendo aproveitado graças à escolha infeliz de rodar o filme em estilo de filmagem amadora. A única coisa boa que podemos tirar disso seria a parte que o capeta sai filmando a beleza selvagem. Nessa cena dá para ter uma ideia da mente insana de Eli Roth, que produz o filme. Certamente ele é o maluco beleza da década.

NOTA: 3.0/5.0

Confira o trailer do filme:


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Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

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