Crítica: “Comer, Rezar, Amar”

Comer, Rezar, Amar (Eat, Pray, Love)

O filme que chegou com um hype imenso – pelo menos lá fora, não consegue cumprir todas as expectativas que o cerca.

Liz Gilbert é uma mulher que perdeu a alegria, aquela vontade de viver em constante carpe diem, apesar de ser bem sucedida na carreira e ter uma vida boa. Depois de se divorciar com Stephen, Liz tenta retomar o rumo de sua vida e acaba conhecendo David, um ator de peças ruins. Após um tempo, nem tudo é um mar de rosas para David e Liz e novamente infeliz no relacionamento, tenta se descobrir e o que é bastante positivo nesse momento é o seu interesse pela religião hindu.

Depois de outra separação, Liz parte para uma viagem de um ano para reencontrar a espiritualidade e o sentido de sua vida e é nessa viagem que  conhece pessoas maravilhosas passando pela Itália, Índia e Bali.

Na Itália, Liz descobre os prazeres do sabor da comida e por isso aconselho a você não ir assistir a esse filme de barriga vazia. Lá ela encontra um grupo de italianos que são retratados de forma caricata e aprende a aproveitar a alegria de não fazer nada.

Na Índia, Liz aprende a meditar e conhece Richard, um texano que teve uma vida perturbada no passado e acabam se tornando grandes amigos.

Em Bali, reencontra seu guru e amigo Ketut que a ajuda a encontrar o equilíbrio através da meditação que aprendeu na Índia e mais algumas coisas de sua própria autoria. E conhece Felipe, um brasileiro que reside lá e vive, com ele,  uma grande paixão.

Certamente o maior destaque do filme é a fotografia: soberba! Em todas as localidades que Liz viaja a fotografia se adapta tirando o que cada uma delas tem de melhor a oferecer a câmera, simplesmente uma imagem melhor que a outra. É um filme de encher os olhos com belas paisagens e, especificamente, em Roma, os closes nas comidas que Liz come com tanto apetite, dão fome a quem assiste.

O roteiro é bom, apesar de algumas frases soarem extremamente clichês. Como ele é baseado em um livro meio que de auto-ajuda, ele é recheado de frases de lição de moral, alem disso conta com uma narração em off de Julia Roberts que parece ter sido copiada e colada do livro sem nenhuma alteração, não sei dizer ao certo se isso é uma coisa ruim ou não.

Apesar de o trabalho da desenvoltura de Liz ser ótimo, o filme perde sua dinamicidade a partir do momento em que ela chega à Índia, tornando-se um filme arrastado com longos 133 minutos de projeção. Pode ter sido uma falha da direção de Ryan Murphy – ele também roteiriza o filme, que tenta colocar quase todos os detalhes e passagens que estão contidas no livro. Isso, sem falar nos exageros que foram colocados no filme. Por exemplo, o elefante mágico que atravessa casas para chegar a um terreno que Roberts está escrevendo um e-mail. Mas há cenas em que o diretor acerta como na parte que Liz começa a aprender a falar italiano com os gestos, que realmente é bem executada.

Julia Roberts não está ruim e também não está ótima, está à mesma de sempre. Parece que falta ousadia nas suas atuações em seus papéis de ultimamente. Por ser um filme ousado, ela realmente deveria ter se esforçado mais e tentado mudar um pouco, como em “Erin Brockovich” que também é baseado em fatos reais. Nesse filme, sim, Julia Roberts está incrível e interpreta uma mulher normal e super esforçada no trabalho, com uma carga dramática bem aplicada realizando um belo trabalho. Porém, neste filme o máximo que consegue fazer são uns choros de crocodilo e prender o cabelo para parecer mais uma cidadã que lava roupas em lavanderias de esquinas, sendo que logo na próxima cena, a atriz aparece novamente com uma escova feita pelos deuses. Tudo isso somado resulta na dificuldade de acreditar na crise existencial que ela está passando o que torna o filme bem supérfluo.

O que realmente segura o filme são as atuações dos coadjuvantes que são praticamente todos ótimos, excluindo James Franco (David) que realizou uma atuação torta assim como sua cara. Ele convencia mais como filho do Duende Verde em “Homem Aranha” do que como ator viciado em meditação e mulheres de 40 anos para cima. Os destaques, realmente, ficam para Richard Jenkins (Richard) e Javier Bardem (Felipe) – destaque para Javier que teve que se esforçar para deixar um sotaque brasileiro parecido com o nosso que as vezes chega até a ficar parecido –, porém Jenkins cria um personagem muito mais complexo que o de Javier, com preocupações mais pesadas e uma redenção mais difícil. É importante citar que quase todas as personagens do filme possuem algum tipo de conflito interno que são “resolvidos” durante a projeção.

A trilha sonora também segue com a qualidade mediana do filme, sendo que algumas músicas são mal colocadas durante algumas cenas, como na parte que Liz vai para a casa de seus amigos com David para jantar. Nesta parte a musica não combina com a cena, deixando-a com um tom muito melodramático, onde não era para ter drama nenhum.

“Comer, Rezar, Amar” não impressiona, é apenas mais um filme romântico como vários outros por aí, só que desta vez com “brasileiros” que segundo o filme, tem o costume de que pais beijem seus filhos na boca para se despedirem. Só em Hollywood mesmo…!

NOTA: 3.0/5.0

Confira o trailer do filme:


Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

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