Crítica: “Atividade Paranormal 2”

Atividade Paranormal 2 (Paranormal Activity 2)

Atividade Paranormal retorna em sua seqüência com menos alarde e com mais tensão.

O filme acompanha a família de Kristi, a irmã de Katie – a encapetada do 1º filme, que acabou de ter seu primeiro filho. Depois de um ano do nascimento de Hunter, a família de Kristi começa a presenciar acontecimentos paranormais após um aparente arrombamento em sua casa.

A história do segundo é um prelúdio à do primeiro, ou seja, narra fatos que aconteceram antes dos eventos ocorridos na casa de Micah e Katie. O roteiro, felizmente, consegue fazer a junção das duas histórias de forma bem trabalhada não deixando o espectador confuso quando revê os personagens do primeiro filme. Além disso, insere sustos em horas que são praticamente inesperadas, tornando o filme muito mais tenso. Também explica um pouco mais do porquê o demo estar encapetando à vida dessas pessoas. Porém, é clichê, disso não há duvidas. Os produtores devem ter se reunido com os roteiristas e falado: “Caras, vamos apelar”. E eles apelaram, em diversos aspectos, quase tudo de um filme de terror B está lá. Temos um porão, um cachorro, a adolescente indefesa, a casa grande, a empregada latina, brinquedos de bebê (existe coisa mais aterrorizante que isso?), panelas de teto e claro, para deixar tudo uma maravilha, uma criança. Inova, entretanto, ao introduzir o espelho e o cômico aspirador de piscinas.

Além de ser clichê, não mantém um bom desenvolvimento da intensidade das assombrações como no primeiro filme. Antes era nítido que as coisas iam ficar feias para Micah e Katie, porém nesse acontecem coisas básicas como a luz da piscina desligar e panelas caindo, depois pula para o inferno geral que ocorre na casa. O que marca o estopim para os eventos ficarem piores, acontece quando a cadela toma um trato do demo. Ele também possui furos como o desaparecimento de personagens vitais para a trama, como a já citada cadela, que vai para o veterinário e some no resto da projeção e a empregada, que também desaparece do nada no fim do filme.

Ainda com várias falhas de roteiro, o filme conta com inúmeros erros de continuidade/seqüência. Por exemplo, cortinas que abrem e fecham de uma hora para outra, xícaras que desaparecem e revistas que se multiplicam de cena em cena. Mas aí você pode dizer: Ah, mas foi o demônio que fez traquinagens! Acontece que o filme não evidencia isso, o que diminui e muito, a veracidade que a Paramount insiste em enfatizar no início do filme.

As atuações também estão todas num nível semelhante, quase todos conseguem retratar o medo da situação que estão passando de uma forma bem convincente. Apenas Brian Boland (Daniel, infelizmente pouco explorado pelo roteiro), que é o cético da vez, e a adolescente que interpreta Ali (não consegui encontrar o nome da atriz) sobressaem em suas atuações que servem mais para aliviar a abordagem pesada do filme com sua comicidade e trapalhadas adolescentes, respectivamente.

Os efeitos sonoros são incríveis, todos muito bem trabalhados e inseridos nas cenas, destaques para os passos e coices do nosso querido Simão, o fantasma trapalhão. Eles conseguem, juntamente com a fotografia, envolver o público no filme sem utilizar nenhuma música, o que é uma coisa bem difícil. Porém, deixaram de fora o som da ventilação que tinha no primeiro, um efeito que aumentava muito a tensão do filme anterior.

Parece que, enfim, surgiu uma luz nas mentes hollywoodianas. Finalmente entenderam que muita gente detesta filmes gravados em câmeras de mão. Boa parte do filme é rodada a partir de câmeras de segurança que Daniel manda instalar após o arrombamento de sua casa. Graças a essas câmeras o filme consegue manter um ritmo bom, uma melhor estabilidade visual, torna-se mais interessante e mais tenso, além de evitar os enjôos que muitas pessoas reclamam quando assistem a esse tipo de filme. Também existem quadros extremamente tenebrosos quando a filmagem passa a ser em câmera de mão novamente, um exemplo é a cena da porta entreaberta com Kristi sentada no quarto de Hunter.

A direção de Tod Williams destaca-se mais na sequência fotográfica que é apresentada toda vez quando algo está para acontecer. Repare que as câmeras seguem uma simultaneidade igual toda vez que a noite chega, para depois serem compiladas nos outros arredores da casa. No inicio, são elas que preparam o terreno para aumentar a tensão do que será mostrado, depois realizam um efeito inteligente que nos envolve ainda mais na pesada atmosfera do filme.

Infelizmente, outro aspecto negativo do filme é o público que o assiste. Não se assuste se na sua sessão algum engraçadinho ficou fazendo piadinhas no meio do pandemônio que acontece durante a projeção. Infelizmente, o público não leva o filme a sério, o que acaba tirando a concentração do pessoal que realmente está atento ao filme. Tudo bem que é normal fazer uma piadinha de vez em quando para descontrair, mas existem alguns que simplesmente não param. As pessoas deveriam ter mais noção de que estão no cinema e não em suas casas, respeitando os outros e tornando a sala do cinema em um ambiente mais agradável.

Apesar das inúmeras falhas, “Atividade Paranormal 2” consegue ser mais assustador que o primeiro, com certeza você não vai desgrudar os olhos da telona. Certamente, é uma boa pedida para ir ao cinema e conferir as câmeras de segurança da casa de Kristi. Agora, falando sério, a Katie realmente deveria parar com esses Falcon Punch’s.

NOTA: 3.0/5.0

OBS.: Como o filme é um prelúdio do primeiro, não há necessidade de assistir o original para ir assisti-lo. Não ligue se não vir cenas que estavam no trailer no filme completo, foi feito propositalmente como jogada de marketing.

Confira o trailer do filme:


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Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

2 respostas em “Crítica: “Atividade Paranormal 2”

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