Crítica: “Piranha 3D”

Piranha 3D (Piranha 3D)

O remake do clássico filme B de terror dos anos 70 consegue levar o gênero do trash-horror a outro patamar.

Após um abalo sísmico na pequena cidade de Lake Victoria, uma fenda terrestre submersa no lago se abre, libertando diversas piranhas jurássicas sedentas por sangue e desmembramentos. Cabe agora aos habitantes desta cidade a sobreviverem ao horror em terceira dimensão que em breve irão vivenciar.

Com uma história dessas, já sabem que o roteiro do filme é inexistente. Serve apenas de plano de fundo para mostrar toda violência e peitinhos que o filme tem a oferecer. Se fôsse um filme mudo, creio eu, que o cinema inteiro entenderia a história sem algum diálogo sequer. Encare este filme como uma ida a um aquário, agora acrescente alguns adolescentes pirados, uns peitos,  uma equipe de filmes pornô, um ictiólogo (aquele que estuda os peixinhos) descentralizado, duas criancinhas, uma xerife machona com sua equipe de policiais mais mansos do que água, e claro, as piranhas psicopatas.

Infelizmente, quase todos os personagens são extremamente irritantes, nem mesmo o protagonista se salva dessa. Steve R. McQuenn conseguiu fazer o personagem mais emburrado de todos os filmes que já vi – e olha que não foram poucos! Parecia não estar ganhando um belo cachê para ficar tão chato assim. Mas quem realmente leva o prêmio de personagem mais absurdamente mala do filme é o produtor de filmes pornô, Derrick Jones, interpretado por Jerry O’ Connel. A única parte que ele deixa de ser chato é quando ele solta a frase “They took my penis!”, que depois nós desnecessariamente encontramos em 3D.

O único que se salva em sua atuação é Christopher Lloyd, atuando como o ictiólogo (nome maldito de escrever) nóia. Tudo em sua atuação consegue ser engraçado: seu jeito de andar, falar (“PIRANAS!”), olhar, enfim, praticamente tudo. Com certeza, ele estava fazendo seu próprio papel de piada para o filme. Eli Roth também faz uma participação no filme com seu jeito ultraviolento, com direito a escalpelamentos de mocinhas.

Como já devem ter notado no título, este filme é em 3D, mas não significa que ele tenha sido filmado no formato. Foi convertido e já dá para desconfiar que o maior prejudicado, além de seus olhos, é a fotografia. Muitas cenas do filme foram feitas embaixo d’água e nessas cenas, meu amigo, é praticamente impossível enxergar um palmo a sua frente, a filmagem fica completamente desfocada, tudo que você verá serão bolhas e mais bolhas de água e de sangue. Porém, apesar deste pequeno problema de terceira dimensão, a fotografia ganha seu mérito na cena do ballet lésbico, nu e submarino. Esta é uma das poucas cenas que dá para ver alguma coisa embaixo d’agua sem ser prejudicado pelo pesadelo 3D.

Apesar de ser um filme de horror totalmente trash de classe Z, a violência demora a chegar e conta com poucos sustos. Mas quando o clímax acontece, são 15 minutos de pura violência que valem a pena ser conferidos.

A trilha do filme acompanha os estudantes, ou seja, é jovem e cheia de música eletrônica, que foram selecionadas a dedo, porque nenhuma chega a ser ruim.

Já os efeitos visuais do filme conseguem ser assustadoramente bons e péssimos em algumas cenas, faltou muito polimento nas piranhas quando elas se movem. As únicas partes que realmente devem ser destacadas pela animação são quando o grupo de mergulhadores entra no fenda e na cena que Mr. Goodman coloca uma “pirana” no aquário.

O diretor Alexandre Aja de “Viagem Maldita” registra sua marca nas cenas de violência. Já na direção dos atores, ele não deveria estar no set enquanto filmavam.

Também vale a pena comentar da maquiagem, esse sim é o melhor aspecto do filme. Foi incrivelmente trabalhada em cada ator/figurante e nos perceptíveis manequins que contracenam do mesmo nível.

Piranha 3D é um filme que diverte, disso não há duvidas, sejam nas variadas mortes absurdas do filme, na falta de fome das piranhas que nunca comem um corpo por completo, ou na atuação de Christopher Lloyd.  O DJ da festa que acontece no lago define bem o filme, ele é totalmente “What the Fuck?!”.

NOTA: 3.0/5.0

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Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

2 respostas em “Crítica: “Piranha 3D”

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