Crítica: “Atração Perigosa”

Atração Perigosa (The Town)

Ben Affleck retorna em seu melhor desempenho como ator e diretor em um filme que irá marcar sua carreira.

Charlestown é conhecida por ser o lugar que sofre mais assaltos a mão armada em bancos e carro-forte em Boston.

Depois do grupo de assaltantes de Douglas MacRay roubarem um banco, eles se vêm obrigados a seqüestrar a gerente devido a algumas circunstâncias. Assim que libertam a mulher, descobrem que ela mora a apenas quatro quadras do lugar onde se reúnem para arquitetar os próximos assaltos com o mandante (o florista). Coube a Douglas espionar a mulher para descobrir se ela sabia de alguma característica dos assaltantes do banco que ela trabalha, porém depois de se relacionar com Claire e virar seu amigo, descobre que está apaixonado o que acaba levando Douglas a ficar vulnerável para o FBI que está na cola dele e de Claire para saber mais do assalto.

O roteiro, que é extremamente inteligente, puxa muito mais para o drama do que para a ação durante o filme, o que certamente é uma coisa boa para aprofundar mais nos personagens e conhecê-los melhor. Também inova em introduzir uma história pesada e “mórbida” ao relacionar o ladrão que seqüestrou à mocinha que nos prende do início ao fim da história graças ao risco dos comparsas de Douglas descobrirem seu affaire com a gerente.

Finalmente, depois de ver tantos filmes de assaltos, eu vi um que não ensina você a roubar um banco. Nós não acompanhamos o planejamento dos assaltos em momento algum do filme, apenas os vemos sendo executados. Como é um filme de roubo, existem vários elementos obrigatórios que são inseridos na trama, por exemplo: perseguições (que no caso são executadas sem exageros, o que torna o filme mais verossímil), o baile que os ladrões dão nos policiais o tempo todo, o detetive do FBI que não dorme nunca e dedica suas 24h a botar os bandidos atrás das grades e as máscaras, que são brilhantemente escolhidas, todas originais e, junto da fotografia, deixam os assaltos com um ar completamente aterrorizador.

Apesar de todos esses aspectos positivos do roteiro, ele tem lá suas falhas e são nessas que o filme perde, e muito, sua qualidade. Um exemplo disto é como eu já escrevi: ele não mostra como o assalto é arquitetado. Sim, isso é uma coisa boa, porém não revela o esquema do florista, que é o mandante dos crimes, o que pode deixar o filme em algumas cenas bem confuso para alguns. Também falha no suspense exacerbado para revelar o que aconteceu com a mãe de Douglas, que só é revelado no último ato, esses misteriozinhos que o roteiro tenta criar acaba prejudicando o filme que deveria ser um pouco mais curto. Além disso, um número considerável de diálogos torna-se arrastado, desinteressante, longo e maçante o que acaba por tirar ainda mais o raro dinamismo do filme, por exemplo, a apresentação da personagem Krista, irmã de Jeremy que é uma personagem apêndice do filme.

As atuações são ótimas, mas quem se destaca é Ben Affleck, que desconstrói seu típico personagem galã de penteados exorbitantes. Aqui ele faz um ladrão bem acabado, cheio de mágoa do passado que quer sair do crime. Outro destaque é Jeremy Renner, que interpreta James Coughlin. Seu personagem é uma espécie de “antagonista” de Douglas, enquanto ele é violento e impaciente, Douglas é calmo e estável. A relação dos dois é algo realmente interessante de se ver, porque um é o oposto do outro. Além disso, ela muda constantemente entre amor e ódio, confiança e dúvida, etc.

A música cumpre seu papel nas cenas dos assaltos (deixa você bem ansioso), enquanto no resto do filme ela passa quase que despercebida.

A fotografia é um ponto alto do filme. Muitas vezes, é expressiva e intensa. Onde ela ganha uma qualidade totalmente elevada são nos assaltos, junto com as máscaras e a música, ela nos deixa completamente imersos na tensão do suspense…

Também vale comentar dos planos belos que ela captura da cidade de Boston. Outro ponto alto é a cena da perseguição, como eu já havia dito anteriormente, conta com um desfecho completamente imprevisível. Também existe um jogo de cor e iluminação interessantes no filme, repare quando Douglas está com os comparsas e nos assaltos ela se torna pálida e escura, mas quando está com Claire a fotografia ganha muito mais luminosidade e cor.

A direção de Affleck revela ser algo completamente diferente das suas atuações dispensáveis de comédiazinhas calhordas. Ele sabe conduzir todas as cenas dos assaltos magistralmente e conta com bons atores para facilitar seu cargo. Ele ainda vai aprender muito e virará um diretor excelente.

Apesar do nome desinteressante, “Atração Perigosa” é um ótimo filme que nos cativa em seu enredo de suspense, porém graças a pequenas falhas ele perde bastante da sua grande qualidade. Nada mal para quem inicia novos caminhos em Hollywood.

NOTA: 4.0/5.0

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Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

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