Crítica: “Um Parto de Viagem”

 

Um Parto de Viagem (Due Date)

A comédia roadie de Todd Phillips faz com que seu nome ganhe mais reconhecimento em Hollywood.

Peter Highman é o típico homem que a sociedade construiu – rabugento, trabalhador e centrado. Ele precisa pegar um vôo de Atlanta para Los Angeles a fim de vivenciar o nascimento de sua primeira filha, só que não contava que no avião encontraria Ethan Tremblay, o maior pesadelo de sua vida. Após um desentendimento com Ethan no avião ambos vão parar na lista dos que não podem voar e isso resulta na carona que Peter terá que pegar com Ethan para chegar a L.A. a tempo e vivo.

O roteiro constrói uma história muito bem elaborada em todos os aspectos – é claro que ele conta com exageros –, mas o que realmente o seu ponto alto é o desenvolvimento da amizade de Peter e Ethan que é brilhantemente construída. Imagine tornar dois inimigos praticamente mortais em melhores amigos da noite para o dia. Certamente, é difícil tornar essa história coerente, mas ele consegue deixá-la completamente equilibrada graças às constantes nuanças de humor Peter e às frequentes mancadas de Ethan. Também o drama que Ethan passa durante o filme é bem desenvolvido e, de vez em quando, torna o filme um pouco pesado.

Além de formar a amizade dos dois de forma convincente, o roteiro insere o cachorro de Ethan que é usado nas horas certas tornando as cenas muito mais cômicas. Também existem algumas piadas cretinas no filme, só que em uma quantidade menor do que “Se Beber, Não Case”. Essas piadas, no entanto, podem ofender alguns que não tem o senso de humor compatível com as piadas do filme.

As atuações ficam por conta da dupla principal: Downey Jr. E Zach Galifianakis. Downey Jr. está muito bem de seu papel de rabugento que bate em criancinhas. Seu personagem marca história como o cara mais azarado do mundo e ele, que já tem um talento natural para comédias agora junta-se a Galifiniakis no mesmo filme sua atuação melhora em todos os aspectos (a química entre eles é ótima). Galifiniakis tem seu melhor papel até então, a caracterização de seu personagem “afetado” é incrível. Consegue criar uma profundidade enorme em um personagem completamente superficial, e ainda marca sua atuação com a reinterpretação de Marlon Brando como Don Corleone em “The Godfather”, ridícula de tão engraçada e a cena do “Don’t panic! Dont’t panic!”.

As músicas muito bem selecionadas acompanham o estilo roadie do filme, ou seja, a maioria são musicas de escutar na estrada, ainda conta com Pink Floyd (cena destaque do filme) e Ice Cube na trilha.

A fotografia também é agradável com as diversas paisagens que o filme traz durante a viagem de Zach e Downey. E o destaque maior fica por conta do plano do Grand Canyon, estonteante de tamanha beleza.

A direção de Todd Phillips (“Se Beber, Não Case”) amadureceu bastante e criou profundidade nos personagens que trabalhou tornando-os interessantes ao contrário dos de seus filmes anteriores. Suas características estão lá, o filme conta com diversas piadas esdrúxulas que divertem bastante.

Novamente com uma tradução vergonhosa, outro filme de um novo estilo de comédia chega ao Brasil. “Um Parto de Viagem” merece ser conferido, além de garantir um ótimo divertimento, faz com que reflitamos sobre as nossas amizades. Por mais difíceis e adversas – detalhe para os amigos com características que nos irritam de vez em quando –, valem a pena em serem mantidas.

NOTA: 3.5/5.0

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Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

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