Crítica: “Scott Pilgrim Contra o Mundo”

Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim Vs. The World)

Depois de uma interminável novela, a Paramount Pictures resolveu lançar “Scott Pilgrim” no Brasil, melhor dizendo, em São Paulo. O motivo de toda esta discórdia com o filme é que ele não fez muito sucesso nas bilheterias lá de cima. Ainda bem que ela decidiu lançar o filme por aqui (infelizmente em apenas três salas de cinema) porque ele é, simplesmente, incrível!

Scott Pilgrim é um canadense pseudo adulto de 23 anos que ainda não amadureceu, vive à custa de uma banda de garagem e mora com o amigo homossexual num apartamento quarto-sala e tem namoradas de 17 anos. Porém tudo isto muda a partir do momento que conhece Ramona Flowers, o amor de sua vida. Mas o que ele não contava era que para namorar sério com Ramona é preciso combater os seus sete ex-namorados do mal, o que irá lhe custar muito tempo e esforço.

Parece que felizmente a desgraça que cai sobre os filmes adaptados em videogames, não se repete nos adaptados de séries em quadrinhos ou HQs. “Scott Pilgrim” é um exemplo de como um roteiro consegue ser dinâmico e bem adaptado, ele não resumiu toda história original da HQ de forma corrida e desleixada como aconteceu com “O Último Mestre do Ar”. Praticamente, em nenhum momento ele te abandona no tédio, inexistente no filme. Ele consegue distribuir muito bem as cenas que os atores tem para desenvolver seus personagens e as cenas das lutas de Scott com os ex-namorados de Ramona. Os dramas existentes nele também não ficam naquela falação “ai, coitado de mim” de ser e conseguem ser convincentes, isto graças à mistura da comédia das piadas que são inseridas nos diálogos. Também é importante citar que todos os elementos mangá, gamer, nerd, otaku e afins que estavam nas HQs foram importados diretamente para o roteiro.

A direção de arte do filme é de encher os olhos. Acho que este foi o primeiro filme baseado em um HQ que realmente consegue filmar de maneira igualzinha aos quadrinhos, outro filme que conseguiu isto foi “Watchmen”, porém não foi de um jeito tão profundo como neste caso. Existem duas fotografias no filme: a primeira é a que pega os quadros que lembram os quadrinhos e onde predominam os diálogos. Nestas cenas, são inseridas onomatopéias na tela, por exemplo: a campainha toca e aparece “Ding, Dong”. Isto realmente foi uma sacada incrível e original da direção de Edgar Wright que deixou o filme com uma cara única. E, a segunda, é onde o filme brilha, com uma mudança radical da maneira como é filmado.  Uma fotografia incrível, que pode ser conferida nas cenas Scott luta com os “exes” da Ramona onde predomina a ação e muita cor (pode até causar ataques epilépticos em alguns).

Nessas partes, o filme tem sua qualidade visual extremamente elevada na qual conta com efeitos visuais muito competentes, onde todos os elementos de jogos luta são incrementados na tela como barras de vida, apresentação dos lutadores, os efeitos sonoros, as moedinhas, contador de combos, filtros coloridos e os clássicos “K.O.” e “continue? 9, 8, 7”.

Também é legal citar a edição do filme que também é original e criativa. Ela usa elementos do próprio cenário do filme para mudar de uma cena para outra, como se Scott estivesse andando entre os quadrinhos de sua história. Outra característica única do filme é quando Scott pergunta a Ramona de seu passado – abre-se, então,  na tela,  uma pequena janela onde passam os quadrinhos, só que animados, da história original.

Michael Cera continua fazendo a única coisa que sabe fazer: ser um boboca. Sua atuação não é excelente e também não é ruim. Como ele é um ator medíocre nada mais impressionante que sua atuação tenha sido medíocre. O Scott dos quadrinhos é descolado e tem seu estilo, coisa que Cera não é ainda mais com seu estilo tosco e torto. Fica difícil de acreditar que um ser nefasto e magricela como ele, consiga bater nos namorados bombados de Ramona com tanta facilidade. Isso faz com que fique difícil associar a figura de Scott com Cera, já que eles não têm semelhança alguma. Se quiser checar como os dois são “iguais” apenas clique aqui.

O papel de Ramona caiu como uma luva para Mary Elizabeth Winstead. Sua personagem ficou semelhante e muito bem caracterizada com a da história original. Ela soube balancear sua atuação para não tornar Ramona uma personagem chata e desinteressante, além da ajuda do roteiro de não insistir toda hora em seus conflitos e incertezas a respeito de Scott e seus ex-namorados.

Outro ator que merece ser citado é Kieran Culkin, que interpreta o amigo gay de Scott. Seu Wallace ficou muito bem trabalhado, todas as cenas em que aparece, ele as torna engraçadas com seu estilo irônico e sarcástico sempre deixando a auto-estima de Scott para baixo. Em suma, as atuações são boas e marcam pela sua simplicidade.

As músicas variam de Rock, Pop e Eletrônica que cumprem sua função sem grandes destaques, as músicas de banda de Pilgrim também são boas e foram bem compostas, mas nada de inacreditável. É interessante citar os efeitos sonoros que aparecem durante as cenas de modo criativo, novamente deixando o filme com um ar único.

A direção de Edgar Wright que já tem em seu currículo “Shaun of the Dead” e “Hot Fuzz” (ambos recomendados) está melhor do que nunca. Sua grande característica que é a comédia non-sense se faz presente em absolutamente todas as cenas. Além disto, a inserção de vários elementos clássicos dos quadrinhos como as onomatopéias provou que ele tem coragem de usar fatores inéditos.

Apesar de Michael Cera, “Scott Pilgrim Contra o Mundo” é um filme que deve ser visto e revisto. Além de ser extremamente engraçado, inova em inserir características inéditas em filmes baseados em HQs marcando grande presença na história do cinema deste estilo. Infelizmente, não é um filme direcionado para todos os públicos, por isso é importante avisar que se você não for simpatizante com as características do filme é melhor nem assisti-lo, pois  pode tornar-se uma experiência maçante.

NOTA: 5.0/5.0

Dê uma conferida no trailer para ter certeza de que quer assisti-lo:


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Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

2 respostas em “Crítica: “Scott Pilgrim Contra o Mundo”

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