Crítica: “Machete”

Machete (Machete)

Após múltiplos adiamentos, um mais desnecessário que o outro, “Machete” chega a apenas cinco salas em São Paulo. Para quem não sabe “Machete” era um trailer falso que acompanhava as versões americanas do “Grindhouse”. Após encorajamento dos fãs e do próprio Danny Trejo, Robert Rodriguez decidiu seguir com o projeto do filme trash que mais uma vez muita gente queria ver.

Machete era o melhor policial do México, até ser traído por seu grupo chefiado por Torrez que tenta matá-lo. Três anos depois do ocorrido, Machete sem mulher e filhos vive nos EUA tentando sobreviver trabalhando como pedreiro, jerdineiro, etc. Porém, um dia tudo muda quando Michael Booth aparece com uma oferta boa demais para ser verdade. Machete teria de matar o senador McLaughin, conhecido por ser impetuoso com os imigrantes ilegais, por US$ 150.000.00. Mas para não perder o costume Machete é traído novamente e agora está sedento por vingança.

Quando Robert Rodriguez tem liberdade para fazer filmes trash como “Planeta Terror” é porque o roteiro foi escrito por ele, então já podem esperar várias mortes ridículas e utensílios domésticos como armas mortais além de criar várias situações para mostrar o quão machão Machete é. Apesar do inusitado/tosco marcarem presença, seu roteiro também é altamente crítico, político e irônico seja na retratação do tratamento que os “cucarachas” imigrantes recebem, no padre armado, nas propagandas políticas de McLaughlin, na Lohan “freira” ou até na revolución que ocorre no clímax. Fora isso, a maioria de seus personagens tem personalidade e divertem principalmente quando Machete refere-se a si mesmo em terceira pessoa (“Machete don’t text”). Infelizmente, é lotado de frases de efeito ou frases clichês como: – Se eu não fizer. Quem o fará? –, que podem encher a paciência de quem assiste.

Danny Trejo finalmente deixa de ser o coadjuvante latino assassinado nos primeiros dez minutos de projeção. Agora, como protagonista, provou ser capaz fazer cara de mau, utilizar um bungee jump de tripas humanas, dirigir carros tunados, matar meio mundo, traçar o elenco feminino inteiro apesar de ser feio pra burro, entre outras várias peripécias. Steven Seagal é um destaque do filme, faz piada de seus papéis passados o tempo todo e impressiona em sua conclusão ridícula. Michelle Rodriguez continua a mesma de sempre sem inovar em nada no seu papel favorito, o de maria homem.  DeNiro diverte sempre com as propagandas políticas de seu personagem. Lindsay Lohan finalmente assume o papel de seus sonhos – a drogada de carteirinha igualzinha a ela. Cheech Marin incorpora o padre Cortez, melhor personagem do filme. Enfim, com um elenco um tanto problemático (a maioria já deu as caras na prisão) as atuações estão boas, mas nada incrível.

A fotografia acompanha o estilo trash utilizando um filtro de filme antigo em alguns momentos como no início do filme e no clímax. Fora isso, encaixa algumas cenas tiradas diretamente do trailer original, por exemplo, a cena que a moto-metralhadora dirigida por Machete voa com uma explosão atrás. Os efeitos visuais fazem jus aos filmes B. Diversas vezes, falham propositalmente ou acabam saindo bem mal feitos.

A música é frenética exatamente como o filme, destaque para “Ave Maria” na sequência que se passa na igreja.

A direção de Rodriguez fica livre para deixar o filme mais “B” possível. Como sempre temos, a violência exacerbada e mulheres peladas. Ganha seu mérito por ser mestre na arte de deixar os filmes bem toscos e exagerados que sempre divertem o espectador. Além disso, utiliza vários elementos pop da cultura hispânica, seja nos carros modificados, nos combates na soleira da igreja, na sede de revolução, nas roupas de Machete, nos tacos e em vários outros elementos.

“Machete” é um filme trash que diverte com seus exageros e consegue lembrar os bons e velhos tempos da era pseudo cult dos filmes B. Mas lembrem-se este filme não é para todos, se você não gosta de ultraviolência, sangue, peitinhos e frases de biscoitinhos da sorte nem tente conferir o filme. Este é o típico filme Haters Gonna Hate.

NOTA: 4.0/5.0

Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

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