Crítica: “A Rede Social”

A Rede Social (The Social Network)

Por Raphael Nogueira

A rede social conta a história dos poucos anos que Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) precisou para se tornar o mais jovem bilionário do mundo. Tudo se inicia com o término do namoro de Mark com Erika, num desconcertante diálogo que nos dá a idéia de como será o filme: cheio dessas conversas complicadas, num ritmo bem acelerado e que necessitam de grande concentração por parte dos leigos para poder entender o que estão falando. Após esse acontecimento, Mark se mete em seu quarto, começa a beber e por causa de um simples comentário de um amigo, tem uma idéia de fazer um site que compare as meninas de várias faculdades. Para isso, apela para suas habilidades hackers não muito bem representadas (ninguém é capaz de programar/hackear com aquela velocidade, ainda mais sendo distraído diversas vezes por outros assuntos) para conseguir as fotos de várias meninas. Não demorou muito para o site ter milhares de acessos, fato que interessou os irmãos Winklevoss, que acabam lhe chamando para programar um site de relacionamentos exclusivo.

E tendo ouvido a idéia dos irmãos, Mark aperfeiçoa-a e passa a se dedicar, juntamente com Eduardo Saverin (Andrew Garfield) na criação do tão famoso site de relacionamentos, Facebook. O enredo do filme é basicamente os problemas causados pela criação da rede social e os conflitos gerados pelo convívio com Sean Parker (Justin Timberlake).

Por ser uma história baseada em fatos reais, acredito que o ponto forte do filme, além da desconstrução da idéia que a maioria das pessoas tem sobre o modo de vida de Mark Zuckerberg, tenha sido o modo como a história é levada, de forma a não entediar o espectador. Apesar da fotografia ser de um estilo cinematográfico bem tradicional (com exceção da cena do remo), os diálogos, em um ritmo frenético, tornam impossível não prestar total atenção no que se passa. Às vezes, é tão rápido que eu só pude entender certas passagens do filme na segunda vez que eu assisti, talvez porque eu não tenha a genialidade que Mark aparenta ter. Nada de especial na parte de sons, exceto pela cena da festa, que teve uma sacada genial ao atravessar o vidro. Mas a trilha sonora foi pouco explorada, às vezes mal escolhida, como na parte em que a música mais parece o som do vento passando por uma fresta na persiana.

É possível que parte desse interesse se deva por conta do diretor, David Fincher, que seguiu a linha de outros grandes filmes como Zodíaco e O Curioso Caso De Benjamin Button. Deve se prestar muita atenção para compreender o que se passa no momento. A história não segue uma ordem cronológica – ela meio que vai explicando as coisas discutidas nos diversos julgamentos que Mark Zuckerberg foi submetido.

Quanto às atuações, esse é provavelmente o ponto mais fraco do filme. A escolha de Jesse Eisenberg como Mark deve ter sido feita mais pela aparência. Mas ele não desenvolve o personagem, dá à impressão de ser um cara totalmente nerd, mas que ao mesmo tempo bebe e se dá mais ou menos bem com garotas, sempre desinteressado ou com sono, sem muitas mudanças nas expressões faciais, coisa comum a esse ator. O que me surpreendeu foi ver Justin Timberlake não cantar nenhuma música e ainda representar muito bem o papel de empresário meio fracassado, mas com uma lábia capaz de persuadir qualquer um, que só quer manter as aparências, se faz de “fodão”, mas na verdade é um covarde ganancioso. E pontos também para o não muito conhecido Andrew Garfield, cuja atuação foi bem satisfatória, apesar de, em algumas passagens, tentar forçar o sotaque de um brasileiro falando inglês.

Outra coisa boa é retratar de forma séria o universo dos universitários de grandes universidades como Harvard, onde os pais têm influência sobre o desempenho dos filhos nas escolas, as irmandades fazem crueldades com os calouros, as festas são exclusivas e os diferentes grupos (como por exemplo, os garotos do remo) nem falam uns com os outros. Essa seriedade deve ser levada em conta quando assistir ao filme, pois confirma em parte as idéias que filmes como American Pie tentam passar na forma de comédia.

Ou seja, A Rede Social é um retrato fiel e marcante de uma época, só que do nosso tempo, do presente, o que é bem mais difícil do que retratar épocas passadas. É um filme que vale a pena ser assistido, não só para testar suas capacidades intelectuais, para rir das zombarias que Mark faz dos advogados ou para se inspirar, mas para se atualizar e, mais do que isso, entender um assunto atual que marcará a história de toda uma geração.

NOTA: 4.0/5.0

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Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

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