Crítica: “Velozes e Furiosos 5”

Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio (Fast Five)

Por Raphael Nogueira

Não é de hoje que filmes de corrida e muita ação animam marmanjos de todas as idades. E no quesito animação, o quinto filme da série não fica para trás. “Fast Five” é a continuação da história de Brian O’Conner (Paul Walker), Dominic Toretto (Vin Diesel) e Mia Toretto (Jordana Brewster) no mundo das corridas ilegais e, consequentemente, de carros tunados. Tanto que a primeira cena do filme é a cena final do filme anterior – quando Dom vai para a cadeia –, mas isso só é possível saber se você já viu os outros filmes. Em muitos momentos há citações dos filmes anteriores, sem a menor preocupação em mostrar algum flashback, deixando espectadores novatos sem entender, ou forçando-os a criar explicações para cada caso. É pena que esse não seja o único ponto negativo da película, que parece ter sido filmada com pressa, dando pouca importância à edição e pesquisa, outra coisa que chama a atenção até dos leigos.


Para um americano, nada de errado se percebe nos retratos que fazem da cidade maravilhosa (teoricamente, esse filme se passa inteiro lá, por isso o subtítulo “operação Rio”), mas para um brasileiro minimamente conhecedor de geografia, logo de cara nos deparamos com os personagens sendo teletransportados da favela para algum deserto existente imaginariamente perto do Rio de Janeiro. Na verdade, essa cena não foi nem ao menos filmada no BrasiL. Afinal, não existem desertos no estilo faroeste com trens que levam pessoas e, ao mesmo tempo, cargas preciosas.

Outra coisa que fica inexplicável é como os gringos chegam e se instalam na favela, com carros dignos de furto, sem sequer arranjar encrenca com os prováveis traficantes de tanquinho armados até os dentes, uma vez que “This is BRAZIL!” (frase célebre de Vin Diesel, na cena em que “Velozes e Furiosos” vira “Cidade de Deus”).

Além disso, um fato que fica muito estranho é o sotaque dos brasileiros. Porque, sinceramente, mais parece que filmaram tudo com chicanos, depois descobriram que no Brasil o idioma é o português e dublaram ao estilo digno de novelas mexicanas. Sem contar os carros da polícia, que nem em sonho seriam daquele jeito, com seus aros 30’ e arrancadas de F1, ou os personagens mortos que reaparecem.

Mas talvez a maior crítica negativa que possa ser realizada sobre o filme é que Fast Five perdeu a característica principal da série, as corridas alucinantes. As poucas que aparecem, são curtas, sem muita competitividade ou emoção, dando lugar às cenas de ação, outras mostrando o grupo planejando ataques, muita conversa e tiros na favela, fazendo uma cópia descarada de uma fase do jogo “Call of Duty: Modern Warfare 2”. O que antes era um filme de corrida passou a ser um filme de ação com grande influência de filmes como “Ocean’s Eleven” (“Onze homens e um segredo”). Só que, mesmo com uma mudança de gênero como essa, eles não vacilaram, criando um final surpreendente, só que um pouco clichê.

Legal foi que tentaram desenvolver os personagens mais do que nos filmes anteriores, mas sem muito sucesso. Parte disso foi culpa dos próprios atores. Vin Diesel, por exemplo, não fez mais do que seu papel de machão bombado com bom coração e que dirige bem. Paul Walker ainda conseguiu mostrar alguma expressão em momentos específicos e é menos deformado fisicamente do que Vin Diesel e The Rock, cuja participação nesse filme foi uma surpresa, assim como a cena da luta dos dois, onde se observa um bolo de massa muscular rolando para cá e para lá (mesmo assim uma das melhores cenas do filme, além de uma das mais aguardadas). Não deve ser difícil para ele fazer o papel do melhor agente osso duro de roer do mundo (Hobbs), mas seu personagem consegue ser sério e engraçado na medida certa.

Destaque para Jordana Brewster, linda como sempre. Ludacris (mostrando que sabe atuar além de cantar) e para Sung Kang (Han, o japinha sabe-tudo que ressuscitou de outro filme), assim como os outros integrantes do grupo formado, todos com papéis engraçados e teoricamente importantes para a trama.

As músicas são um ponto engraçado do filme. É difícil decidir se chega a ser engraçado a escolha daqueles funks latinos ou se é uma tentativa séria de representar o Brasil, coisa que o filme peca enormemente. Só se observa um momento em que a música casa perfeitamente com a cena, a que todos lembraram pela atuação de Gal Gadot (Gisele). Nos outros, escolheram colocar até “Danza Kuduro”, que para quem não sabe, é um estilo africano. É, isso mesmo, estão confundindo os brasileiros com os angolanos, juntamente com toda a América Latina. E uma das melhores músicas, que poderia ter sido colocada em uma cena de corrida,  infelizmente escolhem colocar nos créditos.

Mas se não reparar em todas as falhas técnicas, Fast Five é um filme que deixa qualquer um ansioso por sair batendo em todo mundo e dirigir a milhão na estrada, de bom humor pelo final, querendo ser rico como eles. E, detalhe, do jeito fácil e emocionante como conseguem e, no caso de quem faz academia, com vontade de estourar os ligamentos de tanto puxar peso para poder ficar igual a Dom. Se não acredita, vá se divertir vendo esse filme e a reação dos homens da plateia. E não se esqueça de prestar atenção aos detalhes do filme que deixam claro que haverá ainda uma continuação, para alegria da Nação.

NOTA: 3.0/5.0


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Publicado em Críticas por Matheus Fragata. Marque Link Permanente.

Sobre Matheus Fragata

Formado em cinema pela UFSCar seguindo o sonho de me tornar Diretor de Fotografia. Sou apaixonado por filmes desde que nasci, além de ser fã inveterado do cinema silencioso e do grande mestre Hitchcock. Acredito no cinema contemporâneo, tenho fé em remakes e reboots, aposto em David Fincher e me divirto com as bobagens hollywoodianas. Tenho sonhos em 4K, coloridos e em preto e branco. Sempre me emociono com as histórias contadas por esta arte. Agora busco a oportunidade de emocionar alguém com as que tenho para contar

6 respostas em “Crítica: “Velozes e Furiosos 5”

  1. Tem outra garfe grande no filme, no momento em que o Reis…dono do dinheiro, esta entrando na central de policia… e caminhando entre as salas, dá pra ver no fundo, um adesivo no vidro escrito ” PESSOAL AUTORIZADO SOMENTE” que isto deveria ser ” PESSOAS SOMENTE AUTORIZADAS” …. bom deixa claro como o filme foi feito as presas e como eles nem ligaram pra o nosso Brasil….. uma pena

    mas no mais é isto um filme de ação que remete em partes as suas franquias anteriores e que no final surprende…transmitindo a sensação para os espectadores de querer pegar o seu carro e sair a mil por hora….

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  2. O Japones só apareceu nesse filme, porque o Velozes e Furiosos 5 – operação rio, era pra ser antes de velozes e furiosos em toquio. E no filme 6 a namorado do Dominic que morreu tbm ira voltar!! essa temporada de filmes do Velozes e Furiosos esta uma bagunça rsrsrsrs #ficaadica

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  3. horrível esse filme, conseguiram cagar em tudo: não teve corrida ao estilo do filme como foi comentado e ainda retrataram o brasil como se fosse o méxico, os personagens “brasileiros” sao claramente feitos por atores mexicanos (morenos e bigodudos), o nome deles sao de mexicanos (hernan ????????), entre varias outras cagadas, ou quiseram zuar o brasil ou nao tiveram o minimo de esforço pra pesquisar sequer um um pouquinho sobre o “habitat” brasileiro (deserto, fala serio) e isso ai só pq os americanos tem uma visao tao fechada de mundo e acham q o resto do mundo só é composto por gente careta e ditadora (canada e europa) e favela com preto bandido (america central, do sul e africa)

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