Crítica: Amizades Improváveis

 

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“Cuidar de alguém não se trata apenas de alimentar, vestir e limpar. Trata-se também de compreender como navegar na complicada relação entre aqueles que cuidam e aqueles que precisam de cuidados”. Assim somos apresentados a Amizades  Improváveis (no original “The Fundamentals of Caring”). A mais nova produção da Netflix é baseada na obra literária “The Revised Fundamentals of Caregiving”, de Jonathan Evison com a direção de Rob Burnett.

Ben, vivido por Paul Rudd, é um escritor que tem passado por dificuldades inimagináveis em sua vida: após perder seu filho, agora encara um divórcio e não quer de forma alguma assiná-lo. Então resta a ele se tornar um cuidador, como talvez não somente uma forma de redenção, mas uma nova forma de viver. Eis que somos apresentados a Trevor (Craig Roberts), seu primeiro cliente. O rapaz de vida sedentária logo troca farpas com o personagem de Rudd, mas quando ocorre o embate entre a aflição íntima dos personagens, Ben propõe que Trevor aceite partir em uma roadtrip em busca de visitar lugares nos quais onde ele ficou obcecado vendo em sua TV.

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O carisma de Rudd funciona bem assim como quase todos os personagens ao longo de sua carreira. No aspecto dramático, Burnett talvez tenha se esquecido de que Ben deveria ser um homem destruído e não somente um cara melancólico. Sua química com Roberts cai como uma luva neste longa. Este consegue passar de forma excepcional um deficiente físico lidando com todas essas barreiras que tem em sua vida. E o diferencial, com certeza são as imprevisibilidades que esta história carrega. Nenhum dos personagens pode ser levado a sério, curioso tratando-se de um filme com um tema tão delicado.

O drama paterno (duplo) que é apresentado ao longo do filme, se junta a personagem-problema de Megan Fergurson como duas maneiras que o filme encontra para impulsionar seu drama. É clichê, meio superficial e previsível. Mas talvez esta simplicidade que esses personagens nos trazem, torna essa história tão humana. Sendo então uma faca de dois gumes. O título recebido no Brasil ‘’Amizades Improváveis’’ já é, por si só, ridículo por ser genérico, mas o curioso é que de improváveis essas companhias que Trevor recebe não tem nada.

A personagem de Selena Gomez entra no filme para ser o par romântico de Roberts, mas acaba sendo apenas surrada no filme com um drama barato, típico e clichê (mas como se trata de um roadmovie, o amor superficial entre os dois funciona) com a velha fórmula básica de um filme road trip: o interesse amoroso do nosso protagonista, o momento onde ele ficará a sós com a garota que ama (devido certo personagem inventar uma pataquada para não segurar a vela neste momento), o evento catalizador que chocará todos os personagens envolvidos na viagem, e é claro, fazendo-os de alguma forma mudarem.

É quase inevitável a comparação deste filme com Intocáveis, o longa francês de 2011 dirigido por Oliver Nakache e Eric Toledano. Já que os dois longas nos mostram um personagem debilitado, enquanto o encarregado em cuidar do mesmo, trata-se de um personagem buscando algum tipo de redenção. Mas o curioso é que existe uma diferença entre os personagens de Paul Rudd e o de Omar Sy, enquanto um está aparentemente preparado para cuidar de seu parceiro, o outro, não tem qualquer tipo de experiência ou responsabilidade para isto.

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E talvez nisso, Intocáveis se destaque: seu humor consiste na irresponsabilidade de Driss, na sua maneira de ser um rapaz que veio da periferia, que ao ser encarregado de dirigir para seu amigo enfermo, não pensa duas vezes ao fazer um cavalo de pau com o carro por pura diversão. Ou quando ele hilariamente se nega a limpar Phillipe ou banhá-lo. Algo que, Ben já estava preparado desde o início, por claro, ser um cuidador capacitado.

Ao contrário de Trevor, Philippe não bate de frente com seu cuidador, muito pelo contrário: aqui mesmo combalido, é ele quem tem algo a ensinar. Enquanto Trevor escolhe Ben por seu senso de humor, Phillipe aceita Driss por este lhe tratar como uma pessoa normal e lhe dando uma atenção totalmente desleixada. Vale lembrar que Paul Rudd, ao lado de Sean William Scott, já esteve em um papel um pouco semelhante em Faça o que eu digo, não faça o que faço (2008). Não cuidando de um deficiente físico, mas sendo uma espécie de tutor de um nerd interpretado por Christopher Mintz Plasse, numa relação totalmente oposta a que se encontra aqui. Tentando se aproximar deste, que é um garoto anti social e vive somente por conta de seu mundo de RPG, algo que talvez seja mais original do que vemos aqui no filme de Rob Burnett. Pena que este longa de 2008 poderia ter ido mais longe, mas não passa de uma comédia pastelão sem compromisso  com nada.

Quando os personagens chegam aos seus destinos, Amizades Improváveis prova não ser o melhor filme de seu gênero. Entretém bastante, mesmo não sendo uma comédia assumida. Sessão da tarde como um roadmovie básico, a mais nova produção da Netflix consegue até emocionar, mas opta em garantir sua diversão. Em tempos de produções Happy Madison com Adam Sandler, talvez este tipo de longa esteja nos salvando.

Nota: ★★★★

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