Crítica: Uma Aventura LEGO

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Chris Miller e Phil Lord conseguiram uma façanha inestimável mais uma vez. Após terem dirigido dois filmes que considero ótimos e que facilmente se enquadram nas listas de melhores do ano – “Anjos da Lei” e “Tá Chovendo Hambúrguer”. Agora, atingiram o estado de obra-prima. Vocês vão falar que é um absurdo, mas, para mim, é a mais pura verdade. “Uma Aventura LEGO”, que estreia nessa sexta-feira junto com “Trapaça”, é uma das melhores animações da última década superando até mesmo algumas animações de estúdios muito conceituados como Pixar, Disney e Dream Works.

Mas qual é o porquê disso? O primeiro motivo é que este filme está como referência para a animação em stop motion como “Toy Story” está para a animação digital. Ele pode não ser o pioneiro assim como foi no caso do primeiro filme da Pixar, mas o nível de qualidade da animação é simplesmente estonteante – aparentemente, a animação do longa é uma miscigenação entre stop motion e computação gráfica, mas é praticamente impossível de notar a diferença. Nunca fizeram algo de proporções tão gigantescas pensando em detalhes fotográficos e de movimentos de câmera belíssimos – todos os planos sequência do filme são capazes de te deixar boquiaberto. Para se ter ideia da sua complexidade basta olhar os outros elementos que não estão em primeiro plano durante planos majestosos. Tudo está em movimento constante narrando pequenas histórias ou esquetes cômicas – isso, claro, inserido em uma paleta de cores vibrantes como é característico da autoria de Miller e Lord. Até mesmo explosões e o movimento das ondas do mar são simulados em peças LEGO impecavelmente.

Mas o mérito não é apenas visual. O roteiro não se leva a sério na maioria do filme garantindo uma identidade única para este universo criado. Usa livremente artifícios mau conceituados pelos críticos como o deus ex machina (soluções arbitrárias para conflitos da narrativa), mas o faz de forma escancarada com finalidade de provocar o riso. A história é repleta de clichês, todos muito bem explorados e utilizados. Este é um dos casos que prova que se um filme é clichê, ele não é necessariamente ruim.

Apesar de o filme contar com piadas muito engraçadas, explorar o ridículo e a non-sense, não se levar a sério e explorar muitíssimo bem o universo dos estúdios Warner, o roteiro traz mensagens edificantes para as crianças e também para os adultos. Não quero estragar a grata surpresa que é a história do longa, mas seu desenvolvimento baseia-se na famosa Jornada do Herói que já foi explorada tantas vezes como em Harry Potter, Senhor dos Anéis e Star Wars – um homem comum destinado a salvar o mundo. Porém, o mais surpreendente para mim, foi os moldes para o antagonista da trama inspirado completamente em obras de George Orwell, no caso, “1984” – repare como o primeiro universo que o filme explora se aproxima muito da Pista Nº 1, mas claro que numa versão muito mais açucarada e inebriante. A verdadeira ditadura do ópio.

Já nesse contexto, o filme me fisgou e fiquei completamente extasiado com as aventuras de Emmet, o protagonista. Sei que não sou o único. Todos riam em praticamente todas as piadas criativas do filme – os adultos até mais que as crianças, pois tem piadas que levam certa maturidade para entender (às que tangem os vícios da nossa sociedade, principalmente), além de inúmeras referências desde “O Exterminador do Futuro 2” a “Tron Legacy”.

Miller e Lord mantém outra parceria que se provou muito interessante com o compositor Mark Mothersbaugh. Assim como em “Tá Chovendo Hambúrguer”, há momentos em que a trilha musical se sobressai como durante a cena excelente que trata sobre o plano de Emmet, o protagonista. As músicas, num crescendo de vários instrumentos, lembram notas musicais que se sobrepõem remetendo a construção dos brinquedos lego.

Enfim, “Uma Aventura LEGO” é sensacional. Um filme que merece ser visto e revisto. Até mesmo a dublagem brasileira não desaponta. Com piadas inteligentes, o filme vai divertir tanto as crianças quanto aos pais. Sendo a primeira animação lançada oficialmente em 2014, ela já ganha o mérito de ser uma das melhores do ano.

E, aliás, que ano fantástico que a Warner teve em 2013: “O Grande Gatsby”, “Círculo de Fogo”, “Invocação do Mal”, “Os Suspeitos”, “Gravidade”, “O Hobbit” e “Ela” que estreia na semana que vem. Espero que em 2014, os estúdios Warner mantenham o nível de qualidade ao entregar obras despretensiosas de entretenimento assim como as que mais são prestigiadas pelos festivais.

NOTA: 4.5/5.0

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2 respostas em “Crítica: Uma Aventura LEGO

  1. Este filme de animação incrível. Meu personagem favorito era o ator que interpretou Will Arnett , com Batman. De qualquer forma, ir é uma história que pode ser apreciado do começo ao fim com toda a família.

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